O MESTRE DA SACANAGEM

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O MESTRE DA SACANAGEM


 

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Zéfiro, é casado há 50 anos, ganha Cr$ 80 mil de
aposentadoria e tem cinco filhos, 11 netos e dois bisnetos.


(Dados da época da reportagem. Zéfiro, infelizmente,
faleceu pouco tempo depois de sua descoberta)

A entrevista a seguir foi publicada na Revista D'
de 24 de Novembro de 1991, na Folha de São Paulo. Infelizmente não constam os créditos pela mesma.


(Os créditos da foto de Carlos Zéfiro são de Luciana Whitaker)

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Alcides Caminha, vulgo Zéfiro, desenhou cerca de
600 histórias e não guardou nenhum original.

 

 

Alcides Caminha já foi um dos autores mais misteriosos do Brasil.
Na década de 1960, sob o nome de Carlos Zéfiro, criou os famosos catecismos -
quadrinhos eróticos de linha "heavy".
Manteve-se na sombra porque não queria perder o emprego de funcionário público.
Com 70 anos, aposentado e bisavô, decidiu acabar com o segredo.
Por estar se recuperando de uma trombose, não pode desenhar, mas se mostra espantado
com a obsolescência de seus desenhos:
"Tudo o que mostro no papel as crianças já viram ou praticaram."

 

LW - O sr. é sacana?
CZ - Dependendo da ocasião e do que estiver em jogo.

LW - Seus desenhos saíram da imaginação ou da realidade?
CZ - Imaginação, com alguma experiência .

LW - O sr. fez tudo aquilo?
CZ - Tudo, tudo, tudo.

LW - É melhor desenhar ou fazer?
CZ - Fazer, é lógico.

LW - Musa inspiradora?
CZ - Nenhuma, nunca tive.

LW - Papai e mamãe ou vale tudo?
CZ - Vale tudo, dentro de quatro paredes, desde que de comum acordo.

LW- O sr. suava quando desenhava?
CZ - Não, era completamente profissional.

LW - E quando acabava?
CZ - Eu também sentia tudo aquilo que os outros sentiam. Então, como desenhava em casa, tinha a esposa à disposição e ela quebrava o galho.

LW - O sr. saiu com muitas mulheres?
CZ - Perdi de vista. Quem viaja muito e aproveita o tempo do jeito que eu aproveitava... Não dá pra calcular.

LW - O sr. falhou alguma vez?
CZ - Sim, mais por nervosismo de ter que cumprir o meu dever sem falha.

LW - O sr. ainda está na ativa?
CZ - Com a graça de Deus.

LW - O sr. já molestou alguém?
CZ - Não, nunca fui homem disso. Era chefe de seção e não tem uma funcionária que possa se queixar de eu ter dito uma palavrinha a mais.

LW - Já foi cantado?
CZ - Muito. Principalmente por telefone.

LW - Qual a melhor cantada?
CZ - A que a gente fala pelos olhos.

LW - Melhor lugar para fazer amor?
CZ - Sempre preferi o conforto.

LW - E o pior lugar?
CZ - Na rua, sobretudo na saída de baile.

LW - Hoje o sexo perdeu a graça?
CZ - Perdeu. Está vulgarizado. Antigamente era mais difícil, a gente tinha que correr atrás. Hoje é o contrário.

LW - A Aids mudou sua vida?
CZ - Nada, nada porque quando a Aids apareceu já estava velho. Se aparecesse antes teria mudado, sim.

 

 

 

 

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